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Padre Ticão e o Kaneh-bosm

Uma análise realizada mostrou que a planta batizada com o nome do Padre Ticão tem concentração de 688,0 mg/g (68,8%) de canabidiol (CBD) e 32,5 mg/g (3,2%) de tetrahidrocanabinol (THC). Assim, a planta se mostrou rica em Canabinoides Totais com 720,4 mg/g (72,0%). Rede Abracom – Abrace Esperança

A planta Padre Ticão é cultivada pela Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace). Ela vem demonstrando grandes possibilidades de utilização nos tratamentos dos associados.

O Padre Ticão foi homenageado pela Abrace por sua luta pela garantia de acesso à Cannabis Medicinal para todos que precisam. Antonio Luiz Marchioni, conhecido como Padre Ticão, morreu em janeiro de 2020, aos 68 anos, com 48 anos de vida sacerdotal, o religioso faleceu numa noite de sexta-feira (1º), em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

O padre Julio Lancellotti, postou uma foto de Ticão em seu Instagram com a legenda: “Minha homenagem e oração pelo amigo e irmão Pe. Ticão falecido neste primeiro dia do ano”.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas Lopes (Santos7 de abril de 1980 — São Paulo16 de maio de 2021), também homenageou o pároco, a quem chamou de “grande defensor da população mais carente da zona leste de São Paulo”. “Um guerreiro na luta pela diminuição das desigualdades sociais. Descanse em paz”, afirmou em seu Instagram.

Ele foi uma liderança religiosa e social na zona leste de São Paulo e era pároco da Paróquia de São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, desde 1982. O padre tinha forte atuação nos movimentos de moradia e assumiu a defesa pelo uso medicinal da Cannabis, foi criticado e até ameaçado.

O professor Emanuel Giuseppe Gallo Ingrao, 56 anos, integrante da Associação de Direitos Humanos do Alto Tietê, também lembra com saudade de padre Ticão, que conhecia desde 1979. “Conheci ele ainda era seminarista na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Granada. Depois ele foi para a Paróquia de São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, quando foi ordenado padre por Dom Paulo Evaristo Arns”.

Em entrevista em 2019 à revista Carta Capital, o padre falou: “Não vou dizer que Deus é maconheiro, eu realmente não sei. Mas com certeza ele é canabista”.

“Se um familiar está sofrendo e depende do remédio, tem de plantar. É uma planta divina. Criminoso é quem proíbe”

São 13 milhões de pessoas com alguma enfermidade que poderia ser tratada à base de Cannabis medicinal, segundo a Anvisa. WANDERLEY PREITE SOBRINHO – UOL

O caminho da Justiça, no entanto, só serve para aqueles que podem arcar com os custos de um processo. A importação dos remédios não é mais proibida no país, mas pode custar às famílias cerca de R$ 7 mil, a depender do produto.

Essa é a verdadeira preocupação do padre Ticão: que as famílias de baixa renda também possam tratar seus enfermos, oferecendo a eles maior qualidade de vida. “Eu acredito que precisamos nos organizar em cooperativas, a produzir em comunhão. Os direitos têm de ser para todos, e não podemos esperar que alguém nos sirva. Temos que nos apropriar deles”, afirma.

Os policiais não pararam para me ouvir ou analisar meus exames. Fui tratado que nem bandido. Só vi empatia dentro da cela quando respondi aos presos que estava ali porque plantava maconha para não morrer. Edson (nome fictício), paciente oncológico

Edson optou pela ilegalidade porque nunca teve dinheiro para importar o óleo ou comprar a única versão fabricada no país. Ela está à venda nas farmácias desde maio ao custo de R$ 2.500, segundo a Drogaria Araujo, a única das quatro maiores redes de farmácias do Brasil que respondeu a reportagem.

“Jardineiro” ou “anjo” é como são conhecidas as pessoas que plantam maconha, doam ou vendem as flores ou o óleo já pronto a quem não pode pagar pelo remédio da farmácia e tem medo de cultivar em casa e acabar preso como Edson.

Foi para conter a ação de traficantes e dar uma opção ao óleo da farmácia que um padre na zona leste de São Paulo abriu as portas de sua paróquia para um curso gratuito sobre canabidiol em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Médicos, advogados e agrônomos ensinam desde os benefícios medicinais da erva, ao plantio, colheita e fabricação do óleo.

“Toda a lei desumana deve ser descumprida”, desafia convicto o padre Antônio Luís Marchioni, mais conhecido como padre Ticão, da paróquia São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo.

Padre Ticão em sua paróquia em encontro sobre cannabis medicinal. Foto: Arquivo pessoal/Padre

A primeira versão do Curso Livre Sobre Cannabis Medicinal atraiu 700 alunos, que se abarrotaram no salão paroquial, as inscrições para o 4º curso, agora online, já ultrapassaram os 2.000 inscritos.

Articulado em pouco mais de um mês, o curso começou com 520 inscritos. No primeiro dia de aula, feita pelo neurocientista e pesquisador do Centro Brasileiros de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos (Cebrid) Renato Filev, eram centenas. Os ventiladores não davam conta do suadouro provocado pelo caldo verde. Smoke Buddies

Margarete*, 39 anos, é coordenadora pedagógica na Prefeitura de São Paulo, fuma maconha e deseja, com as aulas, entender mais sobre as propriedades medicinais da planta. “Estou aqui de curiosa. Sei que muitas famílias lutam para tratar crianças com autismo, epilepsia, e quero entender melhor como isso está rolando no Brasil”, afirma.

Foi em sua primeira aula no curso do padre Ticão que dona Carmem (nome fictício), 59, se deu conta de onde tinha chegado para tentar aliviar o sofrimento da neta de 16 anos, nascida com paralisia cerebral.

Desde então, dona Carmem não perdeu uma só aula. Enquanto aguarda na Justiça a autorização para plantar maconha em casa, ela aprendeu tudo sobre o cultivo, encontrou jardineiros “que são mesmo anjos” e lhe doam as flores da Cannabis.

“Até o ano passado, eu era evangélica da Congregação Cristã, jamais admiti maconha perto de mim. De repente me vi encolhida nos fundos de uma igreja católica cercada de maconheiro”, diverte-se.

Para conter as dores da escoliose (curvatura anormal da coluna), do quadril descolado, sinusite, inflamações, convulsões e autoagressões da garota, a médica receitou um calmante que deixou a menina “parecendo uma morta-viva”.

Antes minha neta tomava quatro remédios, mas agora só precisa do canabidiol e mais um que pretendo tirar também. Ela parou de convulsionar, de se agredir e voltou a ter um sorriso lindo.

“Queria plantar, mas tenho muito medo da polícia. No curso, aprendi a extrair o óleo em casa das flores que eu ganho.” Para isso ela usa utensílios domésticos, como balança, potes de vidro e panela. Ela estima que o custo da produção será de R$ 30 por cada 10 ml.

Tudo começaria a mudar em setembro de 2019, meses depois de ouvir pela primeira vez sobre o canabidiol. A novidade foi relatada por outras mães da escola para crianças especiais que Ítalo acabara de ser matriculado.

Em pouco tempo, dona Emília aprendeu a plantar e extrair a resina no curso do padre Ticão. Mas como tinha medo de acabar presa, ela fez o pedido de habeas corpus e passou a pagar R$ 300 pelos 30 ml do óleo artesanal “porque o da farmácia é para gente rica”.

Tudo começaria a mudar em setembro do ano passado, meses depois de ouvir pela primeira vez sobre o canabidiol. A novidade foi relatada por outras mães da escola para crianças especiais que Ítalo acabara de ser matriculado.

Em pouco tempo, dona Emília aprendeu a plantar e extrair a resina no curso do padre Ticão. Mas como tinha medo de acabar presa, ela fez o pedido de habeas corpus e passou a pagar R$ 300 pelos 30 ml do óleo artesanal “porque o da farmácia é para gente rica”.

“Em uma semana o Ítalo era outro!”, lembra a mãe, que retirou seis dos sete remédios que o filho tomava. “Ele parou de se agredir, começou a sorrir e entender nossos pedidos.”

Além dos pacientes que conseguem habeas corpus para plantar maconha em casa, duas associações têm autorização para cultivar, fabricar o óleo e distribuir a seus associados. Com autorização definitiva desde 2017, a Abrace (Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança), na Paraíba, espera chegar ao fim do ano atendendo 3.000 pessoas.

Num dia 15 de julho de 2020, a segunda associação brasileira conseguiu o mesmo. Em caráter liminar (provisório), a Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal), no Rio de Janeiro, recebeu o aval para plantar. Serão dez mil pés de Cannabis para atender cerca de 700 associados.

UOL procurou a Pratis-Donaduzzi e a Anvisa para comentar o alto custo do remédio na farmácia, mas as perguntas enviadas não foram respondidas.

A agência se recusou a informar os nomes dos fornecedores da farmacêutica por se tratar de “sigilo industrial” e informou que “não há outros pedidos de autorização” por parte da indústria nacional para produzir um novo fármaco do tipo no Brasil.

Procurado, o Ministério da Saúde não informou se planeja fornecer o medicamento no SUS (Sistema Único de Saúde), que oferece gratuitamente 147 medicamentos de alto custo.

“Até o momento, as aquisições realizadas pelo ministério visam atender estritamente a sentenças judiciais para importação destes produtos, que não são incorporados ao SUS”, afirmou em nota.

O padre, que toda sexta-feira distribuía a mães e pais as sementes que recebe de jardineiros, lembra que Jesus viveu desafiando as leis de sua época. “Naquele tempo não podia fazer nada no sábado, mas ele realizava seus milagres nesse dia. Por que ele decidia curar justo no sábado?”

Nascido em Urupês (interior de SP), Ticão chegou à capital nos anos 1970, após apoiar greves de bóias-frias e de professores na região de Araraquara (SP). Na década de 1980, ao apoiar movimentos por moradia que cobravam do então governador Franco Montoro a construção de conjuntos habitacionais, participou da invasão à Secretaria de Estado da Habitação. Hélder Loureiro Pegado – Paraiba em Pauta

Professor Waldir conta que Ticão sempre teve preocupação grande com os mais carentes, mais pobres, atuando para levar mais moradia, saúde e educação para a população. “Em 2020 completamos 35 mil moradias construídas. Ele trabalhou para que fosse construído o Hospital de Ermelino Matarazzo e unidades básicas de saúde. Até a USP Leste veio para cá graças a um trabalho dele”, disse.

Uma de suas marcas na região foi a criação da Escola da Cidadania, espaço para discussão sobre temas sociais e políticos nos moldes da Escola de Governo, da USP. O sociólogo Rudá Ricci presidente do Instituto Cultiva, contou nas redes sociais que conheceu Ticão nessa escola.

Do amigo dom Angélico Sandalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, mas que atuou por décadas em São Paulo, o chamava de “trator de Deus”, pela coragem e determinação com as quais encarava suas causas.

“Padre Ticão, para a Zona Leste, significou mudança no modo de pensar, representou apoio e encorajamento às pessoas, representou formação político-cidadã, e representou a verdadeira igreja de Jesus Cristo na opção preferencial pelos pobres. Ele sempre viveu no coração o lema que aprendeu com dom Paulo Evaristo Arns, que era de coragem, de esperança em esperança. Assim ele nos ensinou”, afirmou Waldir Augusti, o professor Waldir, amigo e parceiro de Ticão.

Conversamos com o professor Carlini (Elisaldo Carlini, da Unifesp, um dos principais defensores do uso medicinal da substância no Brasil, morto em 2020) e vimos que tinha um monte de propriedades que vinham ao encontro do que procurávamos”, conta Waldir.

Segundo Waldir, Ticão começou a realizar cursos sobre a substância em parceria com a Unifesp. O primeiro reuniu cerca de 330 pessoas e o quarto, e mais recente, já tinha atraído 4,5 mil pessoas. “Foi chamado de maconheiro, de defensor de uso de drogas, mas ele não desistiu. E nós vamos continuar a seguir sua bandeira”, disse Waldir.

Em 2015, Ticão e professor Waldir lançaram o livro Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns – Pastor das periferias, dos pobres e da justiça, lançado em comemoração aos 94 anos do arcebispo (morto em dezembro de 2016). Coletânea de artigos de 55 pessoas e ilustrado com 160 fotos, o livro foi publicado pelas Associação Casa da Terceira Idade Teresa Bugolin, com apoio da Imprensa Oficial, do governo do estado.

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Aqui tem mais: Quanto custa se tratar com maconha?!?, O pai da maconha medicinal moderna, O pai que deu maconha pro filho!?!, JESUS TERIA USADO Kaneh-bosm PARA CURAR DOENTES

Publicado por Edson Jesus

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13 comentários em “Padre Ticão e o Kaneh-bosm

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