Quer investir em cannabis?

Folha de cannabis | Foto: Olena Ruban/Getty Images (Getty Images/Olena Ruban)

A fintech Nomad, que oferece contas digitais em dólar para brasileiros, passará a oferecer a seus clientes carteira de recomendações de investimentos em cannabis. O produto, que tem como objetivo capturar retornos de longo prazo, será composto por 15 ativos listados nos mercados dos Estados Unidos e Canadá. Entre eles, ações, ETFs e até REITs (semelhantes aos fundos imobiliários) voltados para cultivo da erva e suas diferentes utilidades medicinais, recreativas e de produção. Guilherme Guilhermeexame.

Sócio-fundador e diretor de investimentos da Nomad, Eduardo Haber conta que o diferencial da carteira de recomendações é o uso de algoritmos desenvolvidos para identificar oportunidades no mercado. “É uma carteira ativa, com modelos quantitativos para a escolha e manutenção desses papéis. Nós damos os dados, mas quem faz a carteira é a inteligência artificial”, afirma.

Entre os investimentos presentes na carteira estão empresas farmacêuticas relacionadas à cannabis e toda a cadeia de varejo, que vai desde do cultivo da planta até a venda para o consumo. Uma das maiores posições da carteira, com 8% de participação, é do REIT Innovative Industrial Properties (IIPR), que aluga espaços industriais para plantação de maconha. Já a maior posição, com cerca de 20%, é do ETF AdvisorShares Pure Cannabis, o YOLO.

Os investimentos em cannabis faz parte do quadro de recomendações temáticas da Nomad, que tem outras nove carteiras do tipo, voltadas para setores como tecnologia, saúde e jogos eletrônicos. “Queremos trazer o mercado internacional para nossos clientes diversificarem seus investimentos por meio de uma maior amplitude de setores e de quantidade de empresas de um mesmo segmento”, diz Haber.

Segundo ele, as escolhas pelas temáticas envolvem a percepção sobre os impactos sociais e ambientais e a perspectiva de expansão do setor no longo prazo.

“É uma planta com alta popularidade recreativa, com potencial medicinal imenso, é capaz de produzir plástico e papel e ajuda na performance de atletas. Todo esse potencial vinha sendo travado por proibições regulatórias, que vêm caindo na América do Norte e em diversos outros países”, afirma Haber.

A expectativa do diretor de investimentos é de que o mercado legal de cannabis mais do que dobre de tamanho até 2025, de 20 bilhões para 43 bilhões de dólares. “Isso vai representar um terço do mercado de cerveja, sem contar seu uso em produção de materiais como papel, tijolos e plástico.”

Potenciais de crescimento para o mercado de cannabis também tem atraído a atenção de gestores de fundos do Brasil. Um dos percursores desse tipo de investimento no país foi a Vitreo, recentemente adquirida pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame). Somente nessa estratégia, a gestora tem mais de 50 milhões de reais sob gestão. Considerando apenas os fundos destinados ao tema, os brasileiros investem pelo menos 150 milhões de reais no mercado internacional de cannabis.

O mercado de cannabis tem perspectiva de crescimento exponencial nos próximos anos. Caso seja novo por aqui, a gente conta de novo: o relatório Cannabis: Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado, realizado pela The Green Hub com levantamento de dados realizado pela Clarivate Analytics e Derwent, estima que o mercado global de cannabis legal chegará a US$103,9 bilhões até 2024.

A movimentação de recursos será grande e você pode aproveitar esse cenário promissor para investir, ganhar dinheiro e ainda apoiar uma causa positiva, já que os benefícios sociais e ambientais da cannabis são muitos. 

Antes de colocar o seu dinheiro, estude o mercado e entenda seus segmentos. E isso vale para qualquer tipo de investimento. No caso da cannabis são duas grandes áreas despontam: fármacos e uso adulto. Busque conhecer questões legislativas e peça opiniões de quem já aposta no setor.

Pronto, já estudei, avaliei o quanto quero investir e estou pronto para começar.

Uma opção é realizar o investimento em uma empresa, por meio da compra de suas ações. Por aqui, a cannabis ainda enfrenta muitos entraves burocráticos e você não encontrará empresas que têm na cannabis seu negócio principal na bolsa de valores brasileira. O mais perto disso que você chegará são as ações da farmacêutica paranaense Prati-Donaduzzi, que, desde junho de 2020, detém uma patente de canabidiol diluído em óleo no Brasil.

Porém, isso não é propriamente investir em uma empresa de cannabis. Então, a opção é olhar para fora, principalmente Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Nesses países grandes empresas deste mercado têm ações listadas nas Bolsas.

Conheça algumas empresas:

  • Canopy Growth Corporation – Produtora de cannabis medicinal fundada em 2013 nos Estados Unidos, com foco em pesquisa, desenvolvimento de produtos e produção inovadora para o mercado de cannabis.
  • GW Pharmaceuticals – Foi a primeira empresa de biotecnologia a obter aprovação da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, da sigla em inglês), agência federal dos Estados Unidos, para um medicamento à base de cannabis. Trata-se do Epidiolex, lançado em 2018.
  • Aphiria INC – É focada no desenvolvimento de produtos para aplicações medicinais e de uso adulto. Uma das maiores do mercado, a empresa canadense dedica-se ao cultivo e manufatura de medicamentos de Cannabis (cápsulas, soluções orais e vaporizadores), bem como de produtos para o uso adulto.
  • Aurora Cannabis INC – Empresa canadense presente em 25 países, nos cinco continentes. Possui quatro marcas de cannabis medicinal (CanniMed, MedReleaf, +Aurora e WMMC), além de uma divisão com seis marcas de produtos de marketing diversos.

ETF é a sigla em inglês para Exchange Traded Fund, que pode ser traduzido livremente para fundo negociado em bolsa. Basicamente, é um fundo de investimento que tem como referência algum índice da bolsa de valores, como o Ibovespa ou o Índice Brasil. Se você investe em um ETF, está automaticamente investindo em todas as ações que compõem aquele índice.

Para investimento em negócios de cannabis você tem três boas opções:

  • Horizons Marijuana Life Sciences ETF (HMMJ), disponível através do ticker “HMMJ.TO” na Bolsa de Toronto, no Canadá.
  • AdvisorShares Pure Cannabis (YOLO) ETF, listado na NYSE Arca – primeira bolsa americana 100% eletrônica. 
  • ETFMG Alternative Harvest é negociado sob o código “MJ”, na Bolsa de Nova York (NYSE).

Os três fundos são compostos por dezenas de ações de empresas do segmento, com maioria de organizações canadenses. No caso do YOLO, são 24 companhias atualmente, com Organigram (8,49%), Green Organic Dutchman (8,05%) e Aphria (6,79%) detendo as maiores participações, respectivamente.

Outras empresas conhecidas por quem já investe no setor, como Canopy Growth, Aurora e Tilray, também fazem parte do portfólio das carteiras dos ETFs Alternative Harvest e Horizons Marijuana Life Sciences.

Um fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira formada pela união de vários investidores que colocam o seu dinheiro juntos em ações, títulos de renda fixa (CDBs), títulos cambiais, derivativos ou commodities negociadas em bolsas de mercadorias e futuros, títulos públicos, entre outras opções.

Aqui no Brasil já há um fundo focado no mercado de cannabis internacional. O Trend Cannabis FIM foi lançado recentemente pela empresa XP e investe em ações listadas em países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, sempre de empreendimentos cuja principal matéria-prima de seus negócios é a cannabis. É um fundo passivo, que acompanha a variação do ETF MG Alternative Harvest ou, como é mais conhecido, “MJ” – aquele que falamos ali em cima.

A gestora Vitreo também lançou, no fim de outubro de 2020, um fundo para a compra de papéis ligados ao setor de cannabis. O Vitreo Canabidiol FIA IE é aberto apenas a investidores qualificados — que têm mais de R$ 1 milhão em aplicações —, diferentemente do fundo da XP, disponível para investidores em geral.

Até aqui falamos muito sobre como investir em empresas internacionais, em mercados já legalizados e mais seguros para a cannabis. Entretanto, o potencial nacional também é expressivo e muitas organizações já se preparam para aproveitá-lo, assim que os avanços regulatórios vierem.

Sabemos que esse assunto é complexo e não pretendemos esgotá-lo em um post. Falaremos muito mais disso por aqui.

Publicado por Edson Jesus

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