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Redução de danos: Como lidar melhor com a maconha?

Diversas ações e decisões que tomamos em nosso dia a dia produzem consequências ao nosso corpo e à nossa saúde em geral, mas nem sempre estamos cientes do dano que está sendo causado com uma pequena ação. Reduzir os danos é uma forma de aceitar que as pessoas tomam diariamente decisões que não são “saudáveis” para o corpo, mas que não vão e não devem parar de ser tomadas. KingBong

Um exemplo aplicável à realidade do brasileiro é o hábito de beber álcool. Normalmente esse é um momento de descontração, de relaxamento e sociabilidade, que pode produzir muitos efeitos positivos para a saúde mental da população. Redução de danos é entender que as pessoas vão continuar fazendo uso da cerveja e da cachaça, por mais que o álcool possa produzir consequências danosas para o corpo físico, o que podemos aplicar são formas de diminuir esses danos. Nesse caso, a conscientização sobre a desidratação provocada pelo álcool, estimulando a ingestão de água antes, durante e após a bebida; sobre o aumento da intoxicação quando o estômago está vazio, então sempre fazer uma refeição antes da ingestão; e também sobre frequência/nível de consumo, para diferenciar um uso esporádico, abusivo ou crônico.

Redução de Danos é uma política que foi inicialmente instaurada pensando na disseminação de doenças infecciosas que são transmitidas por fluidos corporais, como o HIV-AIDS. Foi um projeto de educação da população, que se propôs a explicar as formas de transmissão do vírus e disseminar medidas básicas de precaução, que poderiam diminuir muito as chances de contaminação. Principalmente entre usuários de substâncias intravenosas, por conta do compartilhamento de seringas.

A boa notícia para quem precisa lidar com a dependência em opioides é que o canabidiol (CBD) – composto encontrado naturalmente na maconha – bloqueia o mecanismo de recompensa dos opioides, de acordo com um novo estudo publicado na revista Planta Medica. A erva pode ser útil para o tratamento do vício em tais substâncias. Maryjuana

Por mais que a aplicação inicial da redução de danos tenha sido nesse contexto, ela foi aplicada em diversos segmentos com o objetivo principal de promover saúde para a população. É uma política que consiste em educar a população leiga acerca das questões de saúde que permeiam o cotidiano, além de aplicar pequenas ações acessíveis que reduzam os danos das ações que estão sendo tomadas. É uma ação de conscientização, para que entendam as consequências das ações que decidem tomar e tomar uma decisão consciente.

Uma sociedade esclarecida julga menos as condições alheias, dissemina mais empatia ao próximo e também beneficia o sistema de saúde, que não terá que tratar todos os danos futuros produzidos por essas decisões individuais.  

Aplicar a Redução de Danos no contexto da Cannabis é uma estratégia importantíssima, pois já sabemos que essa planta pode produzir muitos efeitos positivos para a saúde. No entanto, como a principal forma de reduzir os danos é a informação, não podemos deixar de lado os efeitos negativos que o hábito de fumar pode trazer para o corpo.

Significa que é preciso criar uma consciência em relação a esses danos, para que cada um escolha individualmente o que é melhor para si. A principal estratégia de redução de danos no contexto da Cannabis é a reflexão sobre o seu próprio consumo, você acredita que esse hábito faz bem para o seu corpo e sua mente?

Se a resposta for sim para a mente e não para o corpo, então é interessante entender a origem desses danos e  aplicar estratégias para minimizá-los. Se a resposta for sim para as duas, perfeito, pode continuar fazendo seu uso, mas lembre-se que essa resposta pode mudar, esteja aberto aos sinais de que você não está fazendo um uso benéfico para si. Se você sentir que a Cannabis não está fazendo bem para a sua mente,  te deixa confuso e com sequelas, talvez seja o momento de procurar um profissional qualificado para entender como encaixar a Cannabis nas demandas da sua vida.

Levando em consideração que a frequência e quantidade de consumo são questões a serem constantemente refletidas, se você percebeu que está fumando demais e quer diminuir, existem algumas estratégias para isso.

A primeira delas é refletir sobre como e quando você faz seu uso: você tem um ritual específico para fumar?  Está sempre incluindo o beck no pós/pré refeição, ou antes de dormir, depois de trabalhar? A criação de um ritual que se repete todos os dias cria um vício de hábito, você mesmo acostuma o seu corpo a pedir a maconha naqueles momentos, então a primeira (difícil) lição seria começar a retirar o beck do ritual que você sempre faz. Não é fácil quebrar um hábito, nesse momento inicial não se preocupe especificamente em reduzir  o consumo, você pode fumar, mas tente ir desvinculando o seu dia da necessidade de fumar.

Ao mesmo tempo que você começa esse processo, você pode investir em diminuir a quantidade de maconha que está consumindo. A melhor estratégia para isso é a chamada “Pausa de Tolerância” (Tolerance Break) – quando consumimos grandes quantidades de Cannabis frequentemente, é criada uma resistência, assim você sempre vai precisar de quantidades maiores para sentir os efeitos. Por isso é interessante ficar alguns dias sem usar nada de Cannabis, antes de começar a diminuir as quantidades. Os receptores canabinoides já começam a se recuperar entre 48-72h, então um tempo de 3-5 dias já seria o suficiente para baixar bastante a resistência à Cannabis.

Quando sua resistência baixar, não vai bolar uma tora pra comemorar! Se você voltar aos mesmos hábitos, a resistência vai subir novamente. É hora de decidir como você quer diminuir esse consumo, você vai mudar a forma de ingestão (fumar/vaporizar/comer)? Vai mudar a qualidade do seu fumo (para algo mais potente que exija menos quantidade)? Ou vai apenas diminuir a quantidade do que você já estava ingerindo?

Depois de decidir isso você pode aplicar o que fizer mais sentido, você pode comprar um vaporizador, que mesmo com quantidades menores de cannabis, pode ser muito potente, pois extrai mais canabinoides do que a fumaça. Os bongs podem ser uma estratégia para diminuir o consumo, ao bater tudo de uma vez, você sente os efeitos com uma quantidade menor de fumo.

Na Redução de Danos você pode aplicar qualquer estratégia que te fizer sentido, não existe certo e errado, apenas o que funciona pra você. 

Falando sobre um consumo terapêutico, a melhor forma de consumo é através dos óleos, já que a sua ingestão é através da absorção pela mucosa bucal, são óleos já descarboxilados e prontos para consumo. Esse uso é muito mais popular no ramo medicinal, quando falamos sobre uso adulto e consciente, é mais sobre o consumo da planta ou extrações.

Levando em consideração minimizar os danos à boca e ao trato respiratório, a vaporização é uma opção interessante, principalmente se o vaporizador tiver um controle de temperatura ou se for usado um filtro para resfriar o vapor. O uso de oil bongs e nectar collectors com percolator são formas de não carbonizar a matéria e o contato com a água promove o resfriamento.

Mas, de novo, quando falamos sobre Cannabis, prejuízo é uma questão particular, você pode perceber que os danos da fumaça não te fazem tão mal e que o vapor incomoda seu pulmão.

Levando em consideração os danos produzidos pela combustão da Cannabis, podemos identificar alguns fatores como principais, sendo eles a temperatura da fumaça, as substâncias que podem estar presentes na seda/no fumo e tempo de contato com os alvéolos pulmonares.

A temperatura da fumaça, que gira em torno de 65-95ºC, pode gerar pontos de inflamação e proliferação de bactérias. Por conta disso, formas de absorver esse calor antes dele entrar em contato com o corpo são muito interessantes, focando principalmente na distância do corpo e no melhor material para absorção desse calor. O vidro é um dos materiais mais eficientes nesse processo, por ser um material que naturalmente absorve muito calor. A água também é uma ótima forma de reduzir a temperatura, a fumaça dos bongs de vidro chega a 35ºC, o mais próximo da temperatura corporal possível.

O uso de piteiras é uma das estratégias mais difundidas, pois além de afastar a fumaça quente da boca, também filtra impurezas e, dependendo do material, pode resfriar muito a fumaça. Se você se sente muito inflamado, com tosse e “pigarro” após dias de muita fumaça, é interessante experimentar utilizar piteiras longas de vidro, quanto mais longa, melhor!

Diminuir a quantidade de papel inalado também é uma estratégia para diminuir a quantidade de impurezas no pulmão. Algumas das formas de fazer isso é cortar a seda ao bolar, bolar invertido e usar utensílios diferentes para fumar, como sedas de vidro, pipes, bongs e vapes.

Por último, mas não menos importante, não caia no conto de que ao segurar a fumaça você vai absorver mais canabinóides. E, esse tempo estendido de contato da fumaça com os alvéolos pode levar ao comprometimento desnecessário destes, já que o THC é absorvido nos primeiros segundos de contato com o corpo.

Se você é sensível à fumaça e está sempre tossindo depois de tragar, experimente respirar ar puro junto com a fumaça. Então ao inalar, coloque a fumaça na boca e respire fundo pelo nariz, para que o ar te ajude a expelir toda a fumaça de uma vez. Nas bongadas você pode aplicar o mesmo mecanismo: respirar um pouco de ar antes de começar a puxar. 

Os filtros percolator são uma estratégia de redução de danos de muitas formas, pois a fumaça é resfriada mais vezes antes de chegar ao pulmão. Esses filtros consistem em estruturas que seguram água no meio do caminho da fumaça, então além da fumaça ser difundida em água na base do bong, vai passar novamente por mais uma (ou mais, dependendo da quantidade de filtros) difusão de água e ar fresco.

As principais vantagens de se utilizar esses acessórios são: não há combustão de papel (seda), são reutilizáveis e resfriam e filtram a fumaça. Club TH

Além de resfriar a fumaça, esses filtros formam uma barreira física contra possíveis impurezas e partículas de resina que iriam diretamente para o pulmão.

Lá em 1963, o Dr. Hoffman publicou no Jornal do Instituto Nacionaldo Câncer, que a tubulação de água retinha 90% do fenol e 50% do material particulado da fumaça do tabaco, e a tendência é que o mesmo se aplicaria à erva. O estudo também relatou que o material retido na água era mais cancerígeno do que a fumaça que passava por ele.

In the late 1970’s, a group based at the University of Athens Medical School (Greece) conducted a series of chemical and pharmacological studies on marijuana and tobacco smoke.1-4 These scientists tested smoke that had been filtered through a water pipe and also tested the water itself, which contained both soluble and insoluble compounds. Chemical analysis revealed many different compounds in the smoke and in the water, as expected from the combustion of plant materials. The water did trap some THC, as well as other psychoactive compounds, however, most of the THC present in the marijuana passed through the water pipe unchanged. Nicholas V. Cozzi, Ph.D. – UKCIA

Posteriormente, uma pesquisa conduzida pelo Dr. Gary Huber, da Universidade do Texas, juntamente com colegas da Escola de Saúde Pública de Harvard, atingiu os mesmos resultados, mas com a Cannabis. Eles mostraram que a maior parte do THC passava pelo tubo de água e permanecia inalterado. Ou seja, a brisa psicoativa não era reduzida pela filtragem.

O único cuidado que se deve ter é na dosagem, pois são diferentes dos baseados em que você dá os tragos aos poucos. Nesses acessórios você acaba consumindo uma quantidade de uma vez só, por isso falam que é uma “pancada”. Mas se a dosagem for feita cautelosamente não haverá problemas.

Nós não incentivamos ninguém a cultivar ou usar cannabis. O objetivo do site é ser um recurso de informação que ajude as pessoas a combater a injustiça da proibição com a mais forte das armas: o conhecimento.

Reduze-se: 5 coisas que acontecem quando você mistura cannabis e café, Redução de Danos: o efeito da maconha na memória, Como fazer uma boa redução de danos?, Mais pessoas estão usando maconha como um substituto ao álcool e remédios, diz estudo

Publicado por Edson Jesus

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