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Sopro de vidro: arte como expressão da cultura canábica no Brasil

Da mistura entre a sílica da areia fina com o carbonato de sódio, o cálcio e outros componentes químicos, em proporção exata e temperatura extremamente elevada, nasce o vidro: um material de uso universal cuja característica molecular desafia, há milênios, a ciência. A singularidade do vidro, que possui um estado físico próprio, chamado vítreo, foi classificado como um “sólido amórfico”, ou seja, sem formas, é uma brisa em si. Thaís RitliSmoke Buddies. 30 janeiro, 2020

Derretido, se transforma sob a influência do calor, da gravidade e da pressão. Através das lentes de didímio, que protegem os olhos da radiação e do brilho intenso, é possível enxergar um universo, quase psicodélico, e vê-lo se metamorfosear em belas peças nas mãos de habilidosos artistas pode ser bem poético e inspirador.

“Eu sempre quis ser artesão”, confessa o vidreiro Caio Torres, de Belo Horizonte, ao lembrar o começo da KPipes, uma das primeiras marcas de peças artesanais feitas com a técnica de sopro em vidro exclusivamente para consumidores de maconha no país.

Dois amigos descobriam a paixão pelo material em um curso de hialotécnica da UFMG. “Foi um curso de seis meses, super técnico, voltado para laboratório, mas onde a gente viu que podia fazer disso uma arte”, conta o soprador Pedro Muller, sócio fundador da KPipes. “Mas, como vidro demanda investimento, ficamos dois anos parados”, completa seu sócio, Caio.

De origem incerta, a arte com vidro foi revolucionada pelos babilônios que, no século II a.C., inventaram um instrumento que permite moldar o material no formato desejado: o ferro de assoprar possibilitou ao vidro assumir as formas da criatividade humana, e, com a influência de outras técnicas e escolas, como a veneziana e a islâmica, ganhou status de arte, com direito a espaço em museus, hotéis de luxo e galerias – e, claro, nos acervos privados de apreciadores desta e de outras finas artes, como, por exemplo, a das extrações de cannabis.

“Quem experimenta haxixe em piteira de vidro entende a diferença da experiência”, comenta o soprador paulistano Bruno Carana, de 26 anos, sobre a função não apenas estética, mas funcional, do vidro para entusiastas canábicos.

A política de redução de danos também está fortemente vinculada à cultura do consumo, que ganha força por aqui com o apelo visual das redes sociais e, principalmente, com o surgimento de uma geração de sopradores que estão mudando a cena e, quem diria, fazendo grana com essa arte.

“Eu só sabia o nome: Hippie Bong. A gente ficava pirando, imaginando que ia ter uma pista de skate, isso, aquilo. Na época, a gente fazia bong de caixinha de suco, caneta Bic. Minha mãe achava e jogava fora. E, de tanto fazer, a gente foi ficando bom nisso”, conta Arthur Trevizam, mais conhecido como Jow, mas inicialmente, foi eu e o Ian (Vaz) que começamos com a ideia, em 2013”, o ateliê, em São Paulo, conta com showroom e também oferece cursos particulares a pessoas interessadas na arte. Aos 16 anos e incentivado pela mãe, começou a estudar a arte em vidro.

Jow desembarcou na Califórnia para um curso especializado em sopro de vidro canábico, com conhecimento na bagagem e o investimento inicial para iniciar a produção no Brasil, abriu, em 2015, seu primeiro ateliê, um espaço que dividia com Ian, na época tatuador – e, nas palavras do sócio, artista desde sempre.  “O vidro sempre foi o que mais me encantou, porém, de início, eu não tive apoio da minha mãe com nada relacionado ao vidro, por estar relacionado à maconha”, conta Ian.

“Eu tinha estudado design de interiores e vivia fazendo uns bicos, e posso dizer que o sopro de vidro me tirou da clandestinidade”, conta Caio, que começou vendendo suas peças na praça do Papa, um pico legalize da capital mineira. “Mas a ideia não era abrir uma empresa, era soprar vidro”.

Os sopradores canábicos brasileiros espalhados pelo país, que ensinam, trocam, aprendem e, incrivelmente, regulam este nicho de mercado em ascensão.

“Acho que alguns caras vão evoluir, alguns grupos de sopradores, para fazer peças exclusivas, mais pela arte. Para baixo disso, vai ter gente que só vai vender atacado, vai no preço mesmo, o que eu também acho justo, viável”, explica Rafael Bonhomme, vidreiro e fundador da BHO Glass, de Foz do Iguaçu. “O Brasil é muito grande, tem lugar para todo mundo”.

Um engano é pensar no sopro de vidro como uma fonte de riqueza, já que o investimento para esta arte não é, nem de perto, acessível. Para começar, os principais equipamentos, como o maçarico e o forno, têm custos proibitivos no Brasil, o que, ironicamente, torna a importação uma alternativa mais econômica – isso sem considerar as taxas e o câmbio do dólar.

O sopro de vidro artesanal no Brasil, ofício antes restrito aos produtores de utensílios laboratoriais, quase se extinguiu pela abertura da concorrência à vidraria da China. Mas, como grandes ideias cíclicas, ressurgiu para um novo propósito, a partir de uma brisa compartilhada e realizada por – e para – maconheiros.

De fato, a palavra “limitadora” não cabe neste contexto, que molda o vidro entre produto de consumo e arte, entre peças colecionáveis e comerciais, e onde jovens vidreiros experimentam e se descobrem como artesãos, empresários e influenciadores de mais um dos incríveis nichos de mercado da maconha.

Here’s more: Bong Cat, Vantagens do Uso de Bongs, EVITE AS PONTAS!!!, Brasileira na Lista da 50 Mais Influentes do Mercado Canábico Mundial, Redução de danos: Como lidar melhor com a maconha?

Publicado por Edson Jesus

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