Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora

Cânhamo na moda: como o têxtil pode unir funcionalidade e propósito?

O mercado global de roupas de cânhamo foi avaliado em US$ 6,84 bilhões (R$ 37,4 bi) em 2021 e deve atingir US$ 63 bilhões (R$ 344,7 bi) até 2029, de acordo com um novo relatório da Data Bridge Market. Smoke Buddies22 julho, 2022

As roupas de cânhamo são amplamente utilizadas devido às suas várias vantagens, incluindo sua natureza leve e absorvente (com três vezes a resistência à tração do algodão), resistência aos raios UV e ao mofo e baixo custo. Todas essas propriedades benéficas, segundo os analistas, são projetadas para criar uma demanda excepcional pelas roupas de cânhamo.

“Não requer o uso de pesticidas ou fertilizantes químicos e é um recurso prontamente renovável. Além disso, nada é desperdiçado durante o processo de fabricação do cânhamo, pois as sementes são utilizadas para fabricar óleos e suplementos alimentares, enquanto os caules são usados para produzir fibras. O dióxido de carbono absorvido pelas plantas de cânhamo é maior do que o absorvido pelas árvores”, aponta o relatório, ressaltando que o cânhamo produz mais fibras por hectare do que as árvores e pode ser renovado duas a três vezes por ano, o que acelera amplamente o crescimento do mercado.

Alguns dos principais players que operam no mercado de roupas de cânhamo, elencados pela equipe de pesquisa de mercado da Data Bridge Market, são:

  • Logu Fashion (Índia)
  • Ecofibre (Austrália)
  • Eartheasy (Canadá)
  • GenCanna (EUA)
  • HempFlax Group BV (Países Baixos)
  • Konoplex (Rússia)
  • Toad&Co (EUA)
  • Its Hemp (Índia)
  • Hemp Fabric Lab (Índia)

O cânhamo têxtil não é novidade no país — do icônico tênis Hemp, da Adidas, que foi sensação nos anos 90, às coleções da Osklen e da Reserva, vira e mexe a indústria da moda apresenta o tecido em contextos diferentes. O lançamento da Vans, por exemplo, usa as fibras na fabricação da malha de um tênis todo sustentável, inserindo o cânhamo têxtil como opção para um mercado consumidor cada vez mais exigente e atento à sua pegada ecológica. Thaís RitliSmoke Buddies. 14 julho, 2022

“O cânhamo precisa de uma quantidade muito menor de água do que o algodão para produzir a mesma peça, e a transformação também tem processos químicos mais simples do que outras fibras”, explica Rafael Arcuri, diretor executivo da Associação Nacional do Cânhamo (ANC), entidade sem fins lucrativos que luta por uma regulação mais abrangente do cânhamo no Brasil.

A forma têxtil do cânhamo seria uma alternativa viável para uma indústria altamente poluente? Por que não é amplamente usada? As respostas para essas perguntas passam por questões regulatórias, mas também de mercado.

“Hoje, o têxtil, de forma clara e objetiva, pode entrar legalmente no país”, diz Arcuri. “As formas mais cruas de entrada são os fios, mas já tivemos notícia da entrada de uma biomassa mais crua ainda”.

Fatores como o câmbio, a logística e a disponibilidade são barreiras que podem inviabilizar sua ampla utilização pela indústria da moda, além de ser mais caro que o algodão, o cânhamo têxtil não é produzido em larga escala em países das Américas que legalizaram seu cultivo, como Estados Unidos, Canadá e Paraguai, porque a competição com China e Índia, cuja tradição nesse nicho é forte, torna a operação economicamente inviável.

“O cânhamo é agro em todas as letras, porque precisamos de grandes áreas cultiváveis, não digo nem monocultura, mas precisamos de volume para ser economicamente viável”, diz Arcuri.

E se o cultivo de cânhamo fosse permitido no Brasil?

“A lógica do preço versus legalização no mercado interno não é direta”, explica Arcuri. “Não dá para afirmar que necessariamente se a gente tiver um cultivo legalizado no Brasil, será rentável para o têxtil”.

Os principais fatores para a viabilidade econômica da produção do cânhamo para o setor são a mão de obra, os meios de capital, específicos para essa cultura, e a forma como a regulação e fiscalização seriam feitas — uma equação complexa, para a qual ainda não há solução.

Em uma indústria que preza pelo lucro, que estimula o consumismo e o descarte desenfreados de seus produtos e não necessariamente liga para o impacto ambiental que gera, o uso do cânhamo têxtil parece incapaz de gerar grandes transformações. Por outro lado, marcas alinhadas ao conceito de slow fashion e atentas ao uso consciente de recursos, humanos e naturais, se beneficiam dos produtos têxteis derivados do cânhamo de forma inteligente, unindo funcionalidade e propósito.

“O cânhamo não é panaceia”, afirma Arcuri. “Temos que tratá-lo como uma ferramenta mais eficiente e/ou mais eficaz em determinados usos e, ainda sendo cético, são muitos usos”.

A durabilidade das fibras, por exemplo, é um diferencial para quem busca peças atemporais, como as do ateliê Flavia Aranha, que tem como objetivo criar moda com transparência em todas as etapas da cadeia de produção e com preocupação socioambiental.

A multinacional brasileira Vicunha, referência em jeanswear, a lançar modelos de denim com até 35% da fibra na composição das peças, mirando o conceito de sustentabilidade como estratégia para agregar valor ao produto e à marca.

“A (…) fibra do cânhamo na produção do jeans proporciona às peças uma textura semelhante à do linho, além de torná-lo mais macio a cada uso e lavagem”, declarou Renata Guarniero, gerente de marketing da empresa.

Outras qualidades do cânhamo, como suas propriedades antibacterianas, podem ser usadas como tecnologia em soluções inovadoras, como as calcinhas menstruais da FloYou, que modernizam a forma de pensar o cânhamo têxtil e cujo lançamento, previsto para o fim do mês de julho no Brasil, representa um novo paradigma para a moda íntima e, claro, para a saúde das pessoas que menstruam.

Iniciativas como essas mostram que, apesar de não ser a solução para os problemas da moda, é possível vislumbrar o cânhamo têxtil em uma lógica de compromisso com valores que a indústria precisa urgentemente resgatar.

Here’s more: Absorvente interno de maconha para reduzir cólicas, Além da brisa: os principais usos industriais da maconha, Fibra de “maconha” na produção têxtil

Publicado por Edson Jesus

Welcome: https://edsonjnovaes.wordpress.com/ https://aicarr.wordpress.com/ https://mbaemopara.wordpress.com/2021/11/18/medicina/ https://jesushemp.wordpress.com/

5 comentários em “Cânhamo na moda: como o têxtil pode unir funcionalidade e propósito?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: